Seja Bem vindo a Agência Floriano

E-mail : contato@agenciafloriano.com.br
  Contato : (11) 3445-7871

04_09_2013_crise-do-jornalismo_uma-mentira-contada-a-seculos

Crise do Jornalismo: Uma mentira contada a séculos

Por Marcello Barbosa*

A mais de 160 anos atrás, Karl Marx escrevia sobre a crise do jornalismo no século XIX, que a mídia daquele momento passava por uma profunda mudança, enfim ele previa um apocalipse na imprensa. De lá para cá, essa discussão se desdobrou de várias formas. Outra polêmica discussão era que o rádio chegaria ao fim, graças a TV. E hoje depois de 63 anos da chegada da televisão ao Brasil, ainda existem rádios espalhados por aí, sejam tradicionais, sejam aparelhos em veículos ou até mesmo web rádios.

Tenho que concordar que nesses anos todos a imprensa e o jornalismo em geral estão sofrendo pesados ataques, mas o maior alvo é o profissional da área, um exemplo clássico foi a queda da obrigatoriedade do diploma de jornalismo para atuar profissionalmente na área. Resumindo, um golpe do STF para sucatear a profissão.

Mas voltando a falar da crise que avassala redações, e canais como a MTV, (que recentemente anunciou que vai fechar), será que essa crise realmente existe? Será que não é sensacionalismo? Eu tenho uma opinião formada. Não existe crise nenhuma.

Como assim? Simples, essa história de crise no jornalismo é igual chifre, é algo imaginário que colocam em nossas cabeças, mas é tão imaterial, que nós ouvimos falar, mas não conseguimos tocar!

O jornalismo em si é dinâmico, necessita se renovar. Ele é como um jovem que acaba de sair do ensino médio e quer mudar o mundo, ou melhor, quer dominar o mundo! Cheio de gás, adrenalina e criatividade. Porém isso vem se desgastando graças ao pensamento de linha editorial de diversos grandes veículos de comunicação parados no tempo. Que “teimam” em enxergar tudo com visão macro e esquece do principal que é enxergar para dentro de si (sua organização, seus profissionais  e enxergar a pluralidade regional. Resumindo: cai leitores de grandes jornais, pois os mesmos estão velhos e os leitores não se enxergam nessas linhas editoriais antiquadas.

Essa crise na verdade é a necessidade cotidiana do jornalismo se reinventar, dele continuar dinâmico, não parar no tempo. Isso acontece desde os primórdios e vai permanecer acontecendo enquanto existir civilização. O que chamamos de crise é uma necessidade constante que a mídia tem de se avaliar e se repensar. Metaforicamente a crise no jornalismo é uma “DR” (discussão de relação) entre profissionais da área, veículos de comunicação e obviamente a sociedade. Um triangulo amoroso que perdura a séculos! OMG!

Enxergar a regionalidade como prioridade na comunicação, ou seja falar do micro, pode ser o primeiro passo de mudar o paradigma de comunicação com foco nos grandes fatos nacionais, isso não significa que deve-se parar de falar de nossa conjuntura nacional, mas significa que a imprensa deve tratar a regionalidade como uma forma de fortalecer a comunicação como um direito de todos, e ir mais além fazer que o leitor se enxergue dentro do jornal, programa de TV, etc. Não apenas isso, mas regionalizar simboliza aquecer todo um mercado em um determinado local.

Outra questão é enxergar o profissional da área. Observar e ouvir o que ele pensa, o que ele pode contribuir, e aproveitar o gás do profissional que acaba de chegar ao mercado de trabalho. A partir daí é ouvir a voz das ruas! Será que o jornal está contemplando o leitor? Será que o veiculo de comunicação consegue se comunicar de fato com a sociedade? São questionamentos que partem do principio que comunicação é um direito.

Concluindo tudo isso, podemos fazer um parâmetro internacional. Hoje a Grécia é assolada por uma crise econômica, com quase 30% da população desempregada e nessa estatística milhares de jornalistas. A saída para os jornalistas que de fato viviam/vivem em uma crise foi criar um jornal alternativo que se auto sustenta, com um modelo de negócios diferente para continuarem trabalhando. O dinheiro vêm de cafés, pequenos restaurantes e ONGs. É meio estranho, mas hoje é este Jornal independente, com uma pequena tiragem imprensa e bastante conteúdo online que pauta grandes veículos de comunicação como o The Guardian por exemplo.

Da mesma forma que em um momento de crise pode se tornar um momento de oportunidade, a chamada crise no jornalismo nada mais é do que um momento de se refletir. Ou seja, chamar de crise um momento de reflexão e de se repensar as coisas, é puro sensacionalismo!

*Marcello Barbosa é Diretor Executivo na Agência Floriano Comunicação Integrada e Diretor Responsável do Portal Região em Contexto